Escolha uma Página

O Espaço Cultural Correios Niterói é palco da estreia da exposição “Lugares e Cores”, do artista plástico Paulo Bittencourt. As 33 pinturas que estão expostas na mostra são inéditas, e também estão à venda, sendo duas delas de 1975 e as demais pintadas a partir de 2015. A exposição fica em cartaz até dia 13 de janeiro de 2018. Com curadoria de Wallace de Deus, a mostra tem o intuito de dar início às comemorações dos 50 anos de carreira que o pintor completa ano que vem.

Paulo conta que a exposição segue um circuito lógico e, segundo ele, suas pinturas são resultado de paisagens que foram registradas ao longo de viagens. O pintor ainda fornece detalhamentos do percurso que é encontrado em “Lugares e Cores”.

“Eu sou muito ligado ao Nordeste, tenho um amor e atração imensa por lá, então, nessa exposição tem um caminho em que eu saio de Niterói, com uma tela pintada em 1975, que é da igrejinha de São Francisco Xavier, de 1m e 34cm x 1 m e 14cm, e vou percorrendo o cenário. Passo um pouquinho pelo Estado do Rio de Janeiro, por Casimiro de Abreu, Cabo Frio, sigo em frente e desço o Rio São Francisco, onde fiquei trinta e poucos dias pintando, porque são 190 quilômetros. Pinto o interior do Sergipe, vou em Alagoas, subo Recife, João Pessoa, Ceará, Teresina, Maranhão e volto para o ano passado, quando pintei algumas telas em Tiradentes, desse mesmo tamanho, sobre Outro Preto”, explica o artista.

Trajetória – Paulo Bittencourt tem 67 anos, nasceu em Nova Friburgo e mora em Niterói desde os 12 anos, quando veio para a cidade estudar. O artista pinta desde os 14 anos e sempre trabalhou com a técnica de óleo sobre tela, desde sua primeira exposição, em 1968. Ele não teve nenhuma formação em artes, aprendeu tudo na prática e pela troca de experiência com outros profissionais.

“Sempre usei óleo. Tentativas a gente sempre faz, mas sempre tive esse caminho. Pintei com muita gente importante de Niterói. Helio Juliano, Costa Filho, por 35 anos professor da Escola Belas Artes, Jaime Cavalvante… Sempre na rua. Esses foram meus verdadeiros mestres. De lá pra cá, alguma coisa há de mudar, para melhorar. Estudos, leitura, convivência com amigos, pintores. Eu tive algumas fases de pinceladas mais largas, mais estreitas, mais convencional, mas tenho uma trajetória de permanecer no óleo e viver do que eu gosto”, declara o pintor.

O artista pinta no seu ateliê, no segundo andar do seu apartamento, no Ingá, onde segue se dedicando à sua arte, e também ao ar livre, mas confessa que prefere estar presente diante da paisagem para realizar a obra.

“A gente faz umas telinhas pequenas, chamadas ‘manchas’, e depois, na transferência, vou desenvolver o brilho, luz, sombra, no meu ateliê. É a tela pequenininha que é o rascunho vivo, onde eu malho as cores e os tons, analisando a composição. Eu sinto a maravilha da natureza. São retratos dela com a exuberância das cores e dos meus sentimentos. O dia corre e a luz brilha, cada hora do dia, as paredes, as árvores, o volume tem um tom, nunca são iguais o tempo todo. Tem um reflexo próprio como a água do mar, do rio. A pintura é minha amante porque sou casado, há 45 anos, com a mesma mulher: Odinéa”, brinca Paulo.

O pintor pretende lançar um livro ano que vem para completar as comemorações dos 50 anos de carreira. Segundo ele, a obra está sendo finalizada e vai ser o registro de suas pinturas desde 1968. O projeto conta com apoio de sua filha Aline Bittencourt, de 39 anos, que é responsável pelo design e arte gráfica do livro.

Fonte: http://www.ofluminense.com.br/pt-br/cultura/cen%C3%A1rios-do-brasil