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Na próxima quinta-feira, dia 8, será comemorado o Dia Internacional da Mulher. Considerada símbolo de uma série de reivindicações, a celebração é uma conquista social, política e econômica que a figura feminina conquistou ao longo dos anos. E como forma de comemorar e, ao mesmo tempo, conscientizar, a Sala Carlos Couto inaugura nesta terça-feira (5), às 16h, a exposição “Eu-mulher”, sobre a escritora Conceição Evaristo, que estará presente para a abertura.

“Ao pensar a programação para o mês de março, sempre pensamos e selecionamos atividades relacionadas às questões de gênero e ao universo feminino. Foi natural chegar ao nome da Conceição Evaristo, pela representatividade da sua trajetória. Com isso, decidimos montar uma exposição como uma homenagem a esta grande mulher. A partir desta ideia, começamos a pesquisar a vida e literatura produzida pela escritora”, conta a curadora Teca Nicolau.

A mostra é composta por fotografias, vídeos, livros da homenageada e de outras autoras que fazem parte da vida de Conceição, como Geni Guimarães e Carolina Maria. A voz da Conceição carrega e propaga os sentimentos, as dores, as alegrias, os gritos e os sussurros de uma multidão de homens e, sobretudo, mulheres, cujas vozes são insistentemente caladas.

“A curadoria foi baseada nas pesquisas sobre a trajetória da artista, levando em consideração, em especial, as homenagens e prêmios que recebeu ao longo de sua militância pela escrita de temas relacionados à mulher. Quisemos dar ênfase na vida e obra da Conceição, expondo alguns de seus poemas cuja temática versa sobre as mulheres”, adianta Teca.

Toda admiração vinda da curadora tem um motivo. Nascida em uma favela de Belo Horizonte, Maria Conceição Evaristo de Brito é uma dos nove filhos de dona Joana, uma lavadeira que criou sua prole com muitas dificuldades. As adversidades do cotidiano, não impediram que a escritora crescesse rodeada de palavras, experiência essa que mais tarde, ela chamaria de “escrevivência”, ou a escrita que nasce do cotidiano, das lembranças, da sua própria experiência de vida e do seu povo.

Na década de 1970, Conceição migra para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Conciliando os estudos com o trabalho como empregada doméstica, Conceição entrou concluiu o curso normal aos 25 anos. Logo após sua chegada ao Rio, ingressou Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde cursou letras. Foi na Universidade, onde começou a dar aulas, aprovada em um concurso público.

A escritora é um exemplo vivo de perseverança. Mestra em literatura brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) e doutora em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Conceição começou a publicar em 1990, aos 44 anos, na série Cadernos Negros, no grupo Quilombhoje. Essa aproximação com a militância de causas sociais naturalmente levou a escritora para o movimento negro.

“É uma honra podermos divulgar trabalhos do pensamento feminista negro que refletem diferentes olhares e perspectivas. É função do poder público propiciar uma multiplicidade de vozes que rompam com a história única, branca, masculina e heterossexual. E Conceição Evaristo é um exemplo contundente de que o lugar da mulher negra não aquele que a história oficial impôs, mas sim o de ocupar lugares de poder e de disputa de narrativas que discutam o racismo”, diz.

Conceição compõe romances, contos e poemas que revelam a condição do afrodescendente no Brasil. Em 2003, publicou seu primeiro romance, o “Ponciá Vicêncio”, que narra a trajetória de uma mulher negra, desde sua infância até a idade adulta. Até hoje o exemplar é um marco na carreira da autora.

Depois do romance de estreia, Conceição Evaristo lançou “Becos da Memória” e “Poemas da Recordação e Outros Movimentos”. Há ainda três livros de contos: “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”, “Olhos D´Água” e “Histórias de Leves Enganos e Parecenças”. Ela também participou de inúmeras antologias, todos os trabalhos marcados por questões raciais, de gênero e de classe.

Exposição “Eu-mulher” apresenta Conceição Evaristo
Curadoria: Teca Nicolau
Abertura: 6 de março, às 16h
Visitação: de 7 a 28 de março de 2018
Horário: Terça a sexta, das 10h às 18h; Sábado e Domingo, das 15h às 18h

ENTRADA GRATUITA
Local: Sala Carlos Couto (anexa ao Teatro Municipal de Niterói)
Endereço: Rua XV de novembro, 35, Centro, Niterói
Tel.: 2620-1624

Fonte: http://www.ofluminense.com.br/pt-br/cultura/for%C3%A7a-de-uma-voz-em-mostra